Defesa de Mestrado

Defesa de Mestrado - Samuel Washington Martins dos Santos

Influência da variação intraespecífica de Chelonoidis denticulatus na sua interação com cães domésticos em uma iniciativa de refaunação

Quarta, 15/04/2026

A defesa de mestrado intitulada "Influência da variação intraespecífica de Chelonoidis denticulatus na sua interação com cães domésticos em uma iniciativa de refaunação" ocorrerá no dia 15/04/2026, no Auditório Hertha Meyer - Bloco G - 022 / CCS - UFRJ.

Orientador:

Dr, André Tavares Corrêa Dias

Dr. Marcelo Rheingantz

Banca:

Dr, André Tavares Corrêa Dias

Dr. Rodrigo Hipólito Tardin Oliveira

Dra. Natalie Villar Freret-Meurer

suplentes:

Dr. Márcio Zikán Cardoso

Dra. Alexandra Pires Fernandez

Resumo:

 A interação entre espécies exóticas e espécies reintroduzidas pode colocar em risco projetos de reintrodução, especialmente em ambientes urbanos. A relação antagonista entre cães domésticos e a fauna silvestre tem impactado populações nativas em escala global, levando à perda de espécies e de suas funções ecossistêmicas. Nesse contexto, a variação intraespecífica surge como um conceito central para compreender a estabilidade de populações reintroduzidas frente à presença de espécies invasoras. Embora já esteja estabelecido que a variação intraespecífica em características morfológicas e de personalidade pode impactar a sobrevivência e o estabelecimento de populações, a literatura ainda carece de estudos que integrem essas características, especialmente em cenários de reintrodução. Portanto, o objetivo deste trabalho foi investigar como a variação intraespecífica de características morfológicas e comportamentais influencia a interação entre o jabuti-tinga (Chelonoidis denticulatus) e o cão doméstico (Canis lupus familiaris), bem como a sobrevivência dos jabutis após esses eventos. Combinando dados de monitoramento, ensaios de personalidade e morfometria dos jabutis com variáveis ambientais e com a ocupação dos cães, utilizamos Modelos Lineares Generalizados (GLM) e Modelagem de Equações Estruturais (SEMs) para testar os fatores que influenciam a probabilidade de ataque, a severidade do dano e a mortalidade. Os modelos revelaram que a morfologia atua como mediadora da personalidade, impactando indiretamente a probabilidade de ataque. Observou-se também um efeito direto da morfologia: animais com carapaça mais curvada apresentaram menor probabilidade de ataque. Sugerimos que este resultado possa refletir ataques superficiais facilitados pela curvatura da carapaça, que podem ter sido subestimados ou não contabilizados nas análises de severidade. A severidade do ataque também foi influenciada diretamente pela declividade do terreno e pela personalidade. Indivíduos com perfil mais ousado (bold) apresentaram maior probabilidade de serem atacados; contudo, quando o ataque ocorreu, esses indivíduos sofreram danos de menor severidade. Nossos resultados sugerem que a vulnerabilidade não é determinada por um único fator, mas pela interação complexa entre características individuais e variáveis ambientais. Porém, é preciso cautela: se, no curto prazo, a seleção de fenótipos com determinadas características de personalidade e morfologia favorece a sobrevivência individual, os efeitos de longo prazo desse potencial homogeneização fenotípica sobre a resiliência da população permanecem incertos.