Quarta, 25 de Fevereiro às 9:30h
A defesa de mestrado "Recursos autóctones ou alóctones sustentam as teias tróficas aquáticas em rios tropicais: O conceito do rio contínuo em teste em um rio da mata atlântica" ocorrerá no dia 25 de Fevereiro às 9:30h, de forma presencial, no auditório das pós do IB, no interbloco B-C.
Orientadores:
Dra. Miriam P. Albrecht
Dra. Juliana da Silva Leal
Membros titulares:
Dr. Vinícius Neres de Lima
Dr. Vinícius Fortes Farjalla
Membros suplentes:
Dra. Eugenia Zandoná
Dra. Clarice Casa Nova dos Santos
Resumo
O Conceito do Rio Contínuo (River Continuum Concept, RCC), desenvolvido a partir de
sistemas temperados, propõe que as características físicas dos rios determinam a
contribuição de recursos basais às teias tróficas, prevendo maior contribuição de material
alóctone em trechos de cabeceira, associada a canais estreitos e dossel fechado. Em
sistemas tropicais, contudo, a maior incidência de luz pode favorecer a produção
autóctone mesmo em trechos sombreados. Nesse contexto, investigamos se recursos
autóctones ou alóctones sustentam predominantemente as teias tróficas em um rio tropical
e avaliamos se o comprimento da cadeia trófica aumenta em direção a trechos mais a
jusante, testando predições do RCC. As coletas foram realizadas em um rio de Mata
Atlântica (Rio Macacu, RJ), em cinco pontos ao longo do gradiente longitudinal.
Amostras de recursos autóctones e alóctones e de consumidores (girinos,
macroinvertebrados e peixes) foram submetidas à análise de isótopos estáveis de carbono
(δ¹³C) e nitrogênio (δ¹⁵N) para inferir a origem dos recursos assimilados e estimar a
posição trófica dos consumidores. Modelos de mistura indicaram predominância de
recursos autóctones em todos os pontos, com aumento ao longo do rio, variando de 61%
a 99% de contribuição. O comprimento de cadeia trófica em relação ao gradiente
longitudinal não apresentou uma correlação significativa (β = −0,11; p = 0,33), porém
indicou diferenças locais da comunidade do rio Macacu, mais especificamente a ausência
de peixes em níveis tróficos mais elevados em trechos mais distantes da nascente. O
conjunto dos resultados indica que, embora as predições do RCC sejam parcialmente
compatíveis com os padrões de variação do comprimento da cadeia trófica, não se
aplicam ao rio tropical estudado no que se refere à contribuição dos recursos basais,
sugerindo que a qualidade nutricional e a assimilabilidade dos recursos autóctones podem
ser mais determinantes para sustentar a teia trófica do que a abundância de matéria
orgânica alóctone disponível.