A disciplina de Ecologia de Campo na Amazônia, realizada na Estação Ecológica Rio Acre (ESEC Rio Acre), consolidou a parceria entre a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a Universidade Federal do Acre (UFAC) e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
Além das atividades acadêmicas e da imersão científica em uma das Unidades de Conservação mais remotas do Brasil, localizada no município de Assis Brasil, a disciplina foi marcada por três acontecimentos de grande relevância ecológica e científica.
1. Palmeiras albinas
Durante as atividades na unidade, pesquisadoras registraram a ocorrência de palmeiras albinas, um fenômeno frequentemente associado a ambientes altamente preservados.
A descoberta ganhou repercussão nacional e foi destaque em reportagens do portal O Eco e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
•https://oeco.org.br/noticias/palmeira-albina-intriga-pesquisadores-em-reserva-do-acre/
O registro reforça a importância da unidade de conservação como refúgio de biodiversidade e laboratório natural para estudos ecológicos de longo prazo, evidenciando o elevado grau de integridade ambiental da área.
2. Registro inédito de onça-pintada caçando
Outro momento marcante foi o registro, pela primeira vez na história da unidade, de uma Onça-pintada (Panthera onca) em atividade de caça dentro da estação ecológica.
O flagrante, também divulgado pelo O Eco, representa um dado relevante para o monitoramento da fauna e para a compreensão da dinâmica ecológica da região.
• https://oeco.org.br/salada-verde/pela-1a-vez-icmbio-flagra-onca-pintada-cacando-em-unidade-do-acre/
A presença de grandes predadores em comportamento natural de caça constitui um importante indicador de integridade ecológica, pois esses animais dependem de cadeias tróficas estruturadas e de extensas áreas preservadas para sua manutenção.
3. Captura, medição e soltura de jaú (Zungaro zungaro)
Durante as atividades práticas da disciplina, foram capturados, medidos e devolvidos ao ambiente dois exemplares de Zungaro zungaro, popularmente conhecido como jaú.
A espécie ocorre nas bacias dos rios Amazonas e Paraná e apresenta status de conservação Quase Ameaçada (NT) segundo a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). No Brasil, também consta na Portaria MMA nº 445/2014 como espécie ameaçada.
Entre as principais pressões antrópicas que afetam o jaú estão a construção de barragens e a pesca predatória. O registro realizado durante a disciplina contribui para a ampliação de dados sobre a ocorrência da espécie e reforça a importância da pesquisa científica associada às unidades de conservação.
Os acontecimentos registrados durante a disciplina evidenciam o valor científico e conservacionista da Estação Ecológica Rio Acre e destacam o papel estratégico da integração entre ensino, pesquisa e gestão ambiental na produção de conhecimento sobre a Amazônia e na formação de novos ecólogos.